quarta-feira, 18 de maio de 2016

Toda a Minha Vida [poema de Armand Su]

TODA A MINHA VIDA
(Tuta Mia Vivo)


Armand Su (1936-1990)
Traduzido do esperanto por Júlio César Pedrosa

Toda a minha vida é esperar
– esperar alguém
que não veio, não vem
e nunca virá.

Toda a minha vida é suspirar
– suspirar por alguém
que não existiu, não existe
e nunca existirá.

Toda a minha vida é amar
– amar alguém
que não me amou, não ama
e nunca amará.

Toda a minha vida é sofrer
– sofrer por alguém
que de mim não teve dó, não tem
e nunca terá.

Toda a minha vida é morrer
– morrer a esperar,
a suspirar,
a amar
e a sofrer.

SU, Armand. Mia Tuta Vivo. In:       . Poemoj de Armand Su. Unua eldono. Kompilita de Hu Guozhu kaj Shi Chengtai. Beijing, Ĉinio: Ĉina Esperanto-Eldonejo, 1992. p. 47-48.

Nota biográfica:
O poeta chinês Armand Su (pseudônimo de Su Chengzong) nasceu em 19 de novembro de 1936. Estudioso de literatura e tradutor, aprendeu mais de 20 idiomas, dentre os quais alemão, inglês, francês e russo.
Armand Su aprendeu esperanto em 1956. Algum tempo depois seus poemas começaram a ser publicados em revistas literárias em esperanto, e o autor se tornou conhecido dentro e fora da China. Escrevia e traduzia também em outras línguas.
Em 1968, em plena Revolução Cultural Chinesa, Su foi preso sob a acusação de conduta antirrevolucionária, devido à sua atividade como esperantista e tradutor/redator de línguas estrangeiras, e condenado a 20 anos de prisão. Adoeceu gravemente na cadeia e quase morreu; a doença lhe deixou sequelas e Su jamais se recuperou plenamente.
Em 1978, após 10 anos de cárcere, foi declarado inocente e libertado, retornando a suas atividades literárias, apesar dos problemas de saúde.
Faleceu em Tianjin, China, em 23 de setembro de 1990.
Em 1992 a Editora Esperantista Chinesa reuniu e publicou sua produção poética no volume Poemoj de Armand Su (“Poemas de Armand Su”).

Santarém, PA, 17/5/2016. Leia e curta também no Wordpress.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Cuieiras [poema de Felisbelo Sussuarana]

Cuias pintadas de Santarém, PA – Fonte:http://www.obidense.com.br

CUIEIRAS

I
São afamadas, são procuradas
as belas cuias de Santarém!
Cuias bordadas, cuias pintadas
como estas minhas, ninguém as tem. Ah!

Para um presente de namorado
que coisa linda, meu bom senhor!
Serviço limpo, bem acabado,
arte, bom gosto, puro lavor.

(Coro)
Para tomar-se um mingau a gosto,
para tomar-se um bom tacacá,
só numa cuia, vaso bem posto
e preferido no meu Pará!

II
Um vinho grosso, roxo e gostoso
do conhecido, belo açaí,
é mais suave, mais saboroso
se numa cuia se bebe aqui. Ah!

Cuias bordadas, cuias pintadas
como estas minhas, ninguém as tem.
São afamadas, são procuradas
as belas cuias de Santarém!

Felisbelo Sussuarana, poeta santareno (1891-1942)

Santarém, PA, 11/3/2015. Editado em 6/5/2016.