quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Um aspecto da II Guerra Mundial, por Mauro Mota

Nestes últimos dias, marcados pela folia carnavalesca, lembrei-me do poema abaixo, do poeta e jornalista pernambucano Mauro Mota (1911-1984), que foi membro da Academia Brasileira de Letras. Conheci este poema quando eu estava no curso de Letras e considero-o belíssimo, um dos mais belos poemas que se compuseram no Brasil no último século, e sempre o releio.
Longe de ser démodé, é, ao contrário disso, bastante atual; quantas moças não passam por isso todos os dias, e talvez de forma até mais violenta, nas muitas áreas de bases militares ou mesmo zonas de guerra atuais, do Mali ao Afeganistão, da Colômbia à Síria?
E mais: quem disse que o Brasil ficou livre dessa prática depois que os ianques partiram do Nordeste Brasileiro? O processo continua: não são apenas estadunidenses, eles vêm de todos os cantos; já não se trata de homens fardados, mas portando coloridas camisas de estilo havaiano ou caribenho, bermudas do tipo safári, sandálias de turista, óculos escuros da moda – pois nosso calor climático e humano pede tudo isso; nem são só homens, pois o turismo sexual já atrai também mulheres, sem falar no público homossexual.
E nesta época de Carnaval dá-se a explosão dessa prática de exploração, pelo sex appeal de nosso povo, combinado com as praias, o sol eterno, o calor, a descontração, a convivência informal...
Fica a leitura para nossa reflexão.

Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (1911-1984)

Boletim sentimental da guerra no Recife
Mauro Mota

Meninas, tristes meninas,
de mão em mão hoje andais.
Sois autênticas heroínas
da guerra, sem ter rivais.
Lutastes na frente interna
com bravura e destemor.
À vitória aliada destes
o sangue do vosso amor.
Por recônditas feridas,
não ganhastes as medalhas,
terminadas as batalhas
de glórias incompreendidas.
Éreis tão boas pequenas.
Éreis pequenas tão boas!
De várias nuanças morenas,
ó filhas de Pernambuco,
da Paraíba e Alagoas.

Tínheis de quinze a vinte anos,
tipos de colegiais,
diante dos americanos,
dos garbosos oficiais,
do segundo time vasto
dos fuzileiros navais
prontos a entregar a vida
para conseguir a paz,
varrer da face do mundo
regimes ditatoriais
e democratizar todas
as terras continentais
a começar pelo sexo
das meninas nacionais.

Iniciou-se então a fase
de convocação e treino
todos os dias na Base.
Ah! com que pressa aprendíeis,
só pela conversa quase!
Dentro de menos de um mês
sabíeis falar inglês.

E os presentes? Os presentes
eram vossa tentação.
Coisas que causavam aqui
inveja e admiração:
bolsas plásticas, a blusa
de alvas rendas do Havaí,
bicicletas "made in USA",
verdes óculos "Ray Ban".
Era um presente de noite
e outro dado de manhã,
verdadeiras maravilhas
da indústria de Tio Sam.

E as promessas? As promessas
eram vossa sedução,
acreditáveis que elas
não eram mentira, não.
Um "Frazer" no aniversário,
passeios de "Constellation",
num pulo alcançar Miami,
almoçar na Casa Branca,
descer a Quinta Avenida,
fazer "piquet" pela Broadway
ver a "première" no Cine
junto dos artistas, com
eles todos na platéia.
Ouvir na "Opera House",
numa noite Toscanini,
na outra noite Lili Pons.

Com tanto "it" e juventude
podíeis testes ganhar,
ser estrelas de Hollywood,
ciúmes de Hedy Lamarr.

Ah! bom tempo em que corríeis,
"pés descalços, braços nus,
atrás das asas ligeiras
das borboletas azuis".
Ó prematuras mulheres,
fostes, na velocidade
dos "jeeps", às "garconières"
da Praia da Piedade.

Quase que se rebentavam
vossos úteros infantis
quando veio o telegrama
da tomada de Paris.

Ingênuas meninas grávidas,
o que é que fostes fazer?
Apertai bem os vestidos
pra família não saber.
Que os indiscretos vizinhos
vos percam também de vista.
Saístes do pediatra
para o ginecologista.

"Babies" saxonizados,
que só mamam vitaminas,
são vossos "babies", meninas,
em vários cantos gerados,
mas "mapples" dos automóveis,
no interior das cantinas,
da praia na branca areia,
em noites sem lua cheia.

Meninas, tristes meninas,
vossos dramas recordai,
quando eles no armistício,
vos disseram "Good bye".
Ouvireis a vida toda
a ressonância do choro
dos vossos filhos sem pai.

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Uma notinha sobre tradutibilidade

Com pequenas variações, um comentário que postei no blogue de Carlos Carrion, num artigo dele sobre dificuldades de tradução: http://omniglotbrasil.wordpress.com/2012/12/27/mais-intraduziveis/.

A facilidade e a dificuldade da tradução de textos dependem menos da estrutura das línguas em questão e mais do contexto delas, expresso por seu vocabulário, que expressa a cultura e o ambiente em que os falantes estão imersos.
É possível traduzir A República ou Os Lusíadas na língua xavante ou guarani? Pode ser difícil, trabalhoso, mas não impossível, do ponto de vista da estrutura. O que dificulta mais é o contexto, o conjunto de referências, que precisaria ser criado na cultura dos falantes, transposto para ela, para depois ser expresso em palavras.
Foi o que os missionários jesuítas, por exemplo, fizeram no trabalho de catequese: explicavam ou mostravam os conceitos cristãos e europeus na língua indígena (o tupi, por exemplo), criando nela um conceito e jungindo-o a um termo novo (criado a partir de elementos da própria língua ou importando-o do português) para poder ser ele veiculado por meio daquela língua.
Assim, foi possível falar em “cavalo” (kabaru), “pecado” (tekoa'iba ou angaipaba = "mau procedimento"), “mandamento” (Tupã rekomonhangaba = "aquilo que Tupã quer que se faça"), “cruz” (kurusu ou ybyrá-ioasaba = "paus cruzados"), “igreja” (Tupã roka = "casa de Tupã") etc., conceitos que os tupis não conheciam.
Em geral, o senso comum concebe a tradução como equivalência “palavra por palavra”, como se os termos fossem etiquetas ou rótulos que pudessem ser facilmente trocados por outros: manteiga = burro = butter = butero; se não é possível fazer isso, já então se diz que a palavra não tem tradução em outras línguas. Infla-se o ego linguístico nacional!
Já dizia, e com toda a razão, São Jerônimo, padroeiro dos tradutores: "Deve-se traduzir o sentido, não as palavras".

Santarém, Pará, 4/2/2013. Editado em 9/10/2015.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Gonzaga Blantez, "Parente"

“Apenas peço me dês
O beijo que eu tanto quero
Teu corpo dance em compasso
Dois por quatro de um bolero”
Gonzaga Blantez e Aníbal Beça, “Canção Antiga”

Gonzaga Blantez, "Parente", 2009. Contato: (92) 8238-3545, gonzagablantez@gmail.com

Com o texto de hoje, começo a enveredar por um caminho que nunca trilhei: a crítica musical. Obviamente, não se trata de crítica profissional, pois nada entendo de música: não toco nenhum instrumento, não entendo de andamento ou coisa parecida, nem mesmo conheço as notas musicais – não sei distinguir um dó de um ré... ou de uma ré, aquela marcha presente nos veículos automotores. Aliás, isto me faz lembrar de que, quando eu era criança da escola primária e morava na Vila Dalva, bairro do Rio Pequeno, São Paulo, tínhamos ali um vizinho com o curioso apelido de Marcha-à-Ré, ou simplesmente Marcha-Ré; até hoje não sei o porquê do nome, também nunca encontrei outra pessoa com tal apelido...
Nada sabendo eu de música, portanto, insiro-me no enorme grupo, majoritário neste mundão de Deus, das pessoas que em relação à música só fazem uma coisa: ouvi-la e dizer se é boa ou não, claro está que de forma totalmente subjetiva. Darei aqui minha opinião sobre um disco, opinião, como sói ser, totalmente pessoal, como o são as opiniões – é bom que se guarde isso. Não analisarei as faixas uma a uma, nem proporei interpretações, ortodoxas ou não, das letras; trata-se apenas de minha impressão sobre o conjunto e algumas partes dele, cabendo aos interessados, depois, ouvir, desfrutar e classificar por si mesmos. Mas tenho a certeza de que os que ouvirem gostarão também.
O CD que comentarei hoje é “Parente”, de Gonzaga Blantez, cantor, músico e compositor natural de Alenquer, Pará, o qual vive há anos em Manaus, Amazonas; já lançou vários álbuns e, segundo o sítio Som do Norte, prepara o lançamento de novo disco. Estive em Alenquer no início do mês, e comprei “Parente” no Museu da Cidade de Alenquer, ao preço de R$10,00, junto com outras lembrancinhas que se vendem por lá. (Em texto vindouro pretendo falar um pouco sobre essa aprazível cidade do Oeste do Pará.)
Começo dizendo que, para aqueles que pouco conhecem a música produzida na Amazônia, o disco é uma grata surpresa. Explico-me: nós do Sul e Sudeste estamos acostumados a ouvir (falar sobre) Calypso, as toadas dos bois de Parintins, o carimbó, Sebastião Tapajós (este parece ser mais conhecido e respeitado fora do Brasil do que no país natal)... é o que nos chega pela mídia, e tendemos a pensar que é só o que há por aqui. É uma linha de pensamento pobre, reduzida e reducionista, reconheço, mas baseada nos dados disponíveis. Muda-se depois de opinião – ou melhor, toma-se conhecimento da realidade quando ela nos é apresentada. Ouvi primeiramente algumas canções de Gonzaga Blantez na programação da rádio Rural de Santarém, e gostei delas; procurei os discos, mas é difícil encontrá-los, pois uns estão esgotados, já outros são vendidos em pontos alternativos – em sua maioria, os artistas da região, como outros deste vasto país, sofrem com a dificuldade de distribuir e tornar conhecida sua produção. A Internet, porém, tem contribuído para corrigir um pouco esta injustiça.
O nome do disco, “Parente”, refere-se a tratamento comum na região amazônica, em que a palavra não designa apenas pessoa a que se é ligado por laços de sangue; é também, como se diz na capa do disco, “expressão usada para dirigir-se carinhosamente a um amigo ou conhecido”. O disco apresenta 12 faixas, quase todas de autoria de Blantez ou em coautoria, à exceção da faixa 11, como se vê na reprodução da contracapa, abaixo. A apresentação do disco é bem simples: nada de estojo, apenas um envelope de papel-cartão, com os dados do álbum reproduzidos no verso, inclusive as faixas, mas sem encarte, o que é uma pena: o Prof. Pasquale Cipro Neto diz que devemos ouvir canções com a letra delas na mão, acompanhando-as verso a verso para melhor fruí-las, e o disco que comento aqui não é exceção.


As canções de “Parente” inserem-se naquilo que se convencionou chamar Música Popular Brasileira, MPB – classificação que sabemos bastante genérica. Mas trazem, como seria de esperar, uma marca, um tempero local, engastado na forma de expressões regionais ou referências a fatos amazônicos, nas letras; ou no ritmo que, tocado ao violão e com outros acompanhamentos, confere às canções uma sonoridade especial, a um tempo familiar e exótica.
Ao contrário, porém, de outro tipo de produção musical que se encontra na Amazônia, as canções de Gonzaga Blantez fogem aos lugares comuns que se ouvem aqui e ali. Parte do cancioneiro atual da Amazônia firma-se em temas ligados às transformações que a região vem sofrendo nas últimas décadas: o desmatamento, o avanço do agronegócio, a chegada de levas de migrantes, a ameaça ao modo de vida tradicional, o risco de contaminação dos rios, os conflitos dos índios com exploradores de madeira e garimpeiros, a expansão de novas religiões, o contato com as novas tecnologias etc.; repetem-se, à exaustão, clichês como: “não deixe o rio secar, não deixe a mata queimar, não deixe nossa terra morrer”, “falta farinha na nossa cuia, cadê o peixe dos meus curumins”, “mamãe, não me mande para o Camboja, por que lá não tem macaxeira” e coisas que tais. Não digo que sejam temas ruins, são temas como outros quaisquer e espelham a realidade vivida pelos povos amazônicos de hoje... mas como cansa ouvir isso o tempo todo, como uma ladainha, uma lamúria sem fim contra o avanço do capitalismo! Realmente maçante...
Já as canções de Gonzaga Blantez, como disse, fogem de modo geral ao uso desses clichês e poderiam ser interpretadas por cantores de outros pagos lusófonos, sem se recair em classificações regionalistas. Será por estar ele residindo há vários anos em Manaus, uma cidade com ares mais cosmopolitas e influenciada pela presença de empresas multinacionais, trabalhadores de outros pontos do Brasil e do exterior, e onde as influências culturais, musicais são mais intensas e variadas, também pela presença de artistas de outras origens, influenciando(-se) uns aos outros? Seja como for, ainda que tais influências não sejam descartadas, os fatores principais são sempre o Eu e a vivência do próprio artista, com seus característicos e sensibilidades.
Além da voz de Gonzaga Blantez, bem acompanhada do violão e outros instrumentos, as canções destacam-se pelas letras bem compostas, tratando do amor e de coisas do cotidiano numa perspectiva popular e informal em que os jogos de palavras chamam a atenção. Há, como dito acima, e como não poderia deixar de ocorrer, referências à Amazônia, mas a temática vai muito além de suas fronteiras.
Inicia-se com a faixa “Bandido”, gostosa – e até dançante – canção que joga com as ambiguidades do termo bandido, que nela não é um criminoso, mas um sofredor que “vive pouco e não tem tempo a perder”, devendo ser amado sem demora, “sem drama”:
“E o amor é o bálsamo
Que alivia minha dor
Bandido também sofre por amor”
A ambiguidade – pelo menos aparentemente – está também na segunda faixa, “A minha mulher”, notável pela confusão de termos contraditórios que se encadeiam: o poeta diz à mulher que vai fazer carinho “com a sola do meu sapato”, “com a seda das minhas unhas de aço”, “com o cabo da tua vassoura pintado com as cores do meu time”, “com a tampa da panela de pressão, onde você cozinha e sempre amolece o feijão e o meu coração”, “vou te cobrir com rosas de espinhos macios, que a roseira das minhas mãos deixa um caminho de plumas ferindo carícias no teu coração” etc. Ao mesmo tempo romântica e bem-humorada, esta canção é na verdade uma crítica contra a violência doméstica, caindo bem num estado, o Pará, que ocupa as primeiras posições no ranking da violência doméstica e contra a mulher, incômodo troféu que ninguém deseja ostentar.
“Na linha de fogo”, terceira faixa, apresenta um cidadão tipicamente brasileiro na luta do dia a dia, “perdido no meio do fogo cruzado”, que não tem “ganho, coitado, nem bingo de arraial”; se atira para o alto “o céu tá deserto, não acerto nem nuvem, imagine urubu” – é de espantar, levando-se em conta que os urubus são muito abundantes na Amazônia, gozando da proteção que têm por serem aves nativas (em alguns lugares são bem mais numerosos, por exemplo, do que os incontáveis pombos da Praça da Sé de São Paulo). É um tema nacional e até universal, vestido de roupagem local, inclusive com referências ao maior clássico futebolístico amazônico, o confronto do “Papão da Curuzu na briga feia com o Leão Azul” (Paysandu X Remo): "não sei se corro ou se peço socorro, na hora que o bicho pegar".
As canções seguem-se, e na faixa 9, “Surubiú”, faz-se uma homenagem a Alenquer, por meio do rio junto ao qual a cidade surgiu, no século XVII – Surubiú foi também o primeiro nome colonial da localidade, antes de receber o atual. O termo é de origem tupi: surubi-‘y = “rio dos surubins”.
Destaca-se ainda a belíssima e mui poética “Canção Antiga”, faixa 10, que considero a melhor do disco e que ouvi e reouvi com emoção:
“E antes que a tarde se vá,
Eu quero morrer nas cores
De intenso vermelho vivo
Sem me importar com temores
Quero morrer nos teus braços,
Tranquilamente sereno
Senhora da minha vida,
Meu remédio e meu veneno,
Quero morrer todo dia,
Eu quero morrer de amor
Apenas peço me dês
O beijo que eu tanto quero
Teu corpo dance em compasso
Dois por quatro de um bolero”
Que beleza de versos! É difícil até comentar, tamanho o inusitado das metáforas, em que não se sabe se morre o dia ou se se morre de amor, ou ambas as coisas...
O disco termina com a animada “Vira-lata”, em que o poeta, após cair “nas garras da felina”, devido ao “instinto animal”, torna-se “seu bichinho bonzinho”. Vale a pena reproduzir aqui todo o texto:
“Juro que não tive a intenção
De magoar seu coração
Foi o meu instinto animal,
Me jogou num erro fatal,
Caí nas garras da felina
Sou o seu ciúme, sou seu mimo,
Eu sou seu bichinho bonzinho
E quando ando arredio,
Eu viro um cachorro vadio,
Perco o valor e a razão
Sei que eles vão me chamar
E vão me rotular até de vira-lata
Mas não me importo, afinal,
Minha raça é que tem essa graça,
Que ela se orgulha e canta feliz,
Pedigree, pede bis,
Da minha sedução,
E diz que eu sou seu pastor-alemão”
É o amor vencendo a razão e levando o homem ao instinto animal, ou a vitória do sentimento sobre as divisões sociais: cão vira-lata ou desqualificado social para uns, mas verdadeiro animal de pedigree ou vencedor para a amada – e é isto o que importa!
Bem, amigos... Todas as canções deste disco de Gonzaga Blantez inserem-se na mais pura tradição da MPB, tanto em relação à melodia quanto às letras bem elaboradas, verdadeiros poemas cantados, não devendo nada aos conhecidos medalhões de nosso cancioneiro. É um álbum que com certeza ninguém ouvirá e permanecerá impassível.
Termino com a esperança de que as novas mídias eletrônicas continuem ajudando o Brasil a conhecer melhor a si mesmo, para que Gonzaga Blantez e outros artistas se tornem mais conhecidos fora de suas regiões e tragam mais deleite aos brasileiros e ouvintes de nossa boa música.

Este texto foi produzido e postado por meio de softwares livres: sistema operacional Linux Mint 13 Maya LTS; processador de texto LibreOffice 3.5.3.2; navegador de Internet Mozilla Firefox 13.0.1.
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A dama de preto

A Dama de Preto (La Nigra Virino)

Traduzido do sueco para o esperanto por B. G. Jonson.
Traduzido do esperanto para o português por Júlio César Pedrosa.

Durante a viagem que fiz, há não muito tempo, de Chicago a Nova Iorque, percebi, quando despertei de manhã, que o trem tinha parado. O garçom informou que já estava parado havia uma hora e meia. Vesti-me e, quando fui para fora, descobri que estávamos junto a uma pequena estação, no campo. Entrei no vagão-restaurante e tomei o café da manhã; depois saí a passear pela escalinata.
Em cima da locomotiva, o maquinista estava sentado só, aguardando. Parei e tagarelei por algum tempo com ele a respeito da máquina. Quando lhe ofereci um charuto, que ele aceitou e agradeceu, pediu-me que entrasse na pequena cabine de sua locomotiva.
O chefe, um homem belo e grande, na idade de 40 anos, explicou-me o uso das distintas partes da máquina. Tudo o que poderia estar apenas polido, brilhava como o sol; pois que os chefes de locomotivas são tão orgulhosos, quando suas máquinas estão ornamentadas, quanto as donas de casa, quando as salas destas estão arrumadas.
— Que enfeite é este? perguntei, apontando para algo que se assemelhava a um inseto e, enquadrado numa moldura dourada, estava pendurado na parede. O chefe riu. É menos um enfeite que uma lembrança, disse ele; pendurei-o aqui porque ele salvou minha vida e a de 250 outras pessoas.
— Como então um inseto pode salvar a vida de pessoas? perguntei.
— Vou contá-lo a você. Temos muito tempo até o fim da viagem.
Sentei-me no lugar do foguista ausente e preparei-me para ouvir.
— Aconteceu há não muito tempo, há um ano, na primavera. Eu viajava neste mesmo caminho, como agora, e tinha esta mesma máquina, como agora — a querida 499. Meu foguista era o mesmo que eu tenho agora — Jim Moode. Jim é um excelente rapaz, mas muito inclinado a crer em espíritos, sonhos e premonições. No início eu ria de sua imprudência, mas agora eu já não zombo dele tanto assim — desde quando eu vi a dama de preto.
Eu precisava partir de M. por volta da uma da madrugada e chegar a S. às seis horas. Nessa madrugada soprava um terrível vento e a chuva caía aos cântaros desde a noite. Quando cheguei ao pátio das locomotivas, o vendaval estava ainda mais terrível.
Quando Jim e eu estávamos a caminho da estação com a locomotiva, ele disse: — Teremos uma viagem infeliz, Frank; gostaria que nós já estivéssemos em segurança em S.
Eu ri e perguntei: — O que o amedronta assim esta noite?
— Sinto que alguma coisa vai acontecer, disse.
A bem da verdade, eu mesmo me sentia um pouco medroso também.
A composição que eu deveria conduzir era comprida, bem pesada, e consistia quase que somente de vagões de passageiros. Fiquei nervoso com a ideia de ter sob meus cuidados e responsabilidade tantas centenas de pessoas.
Ria eu de mim mesmo por minha covardia, quando uni a locomotiva aos vagões; depois a vistoriei e vi que tudo estava pronto. Soou o alarme e partimos através do vendaval. A escuridão era impenetrável, somente da lanterna da frente da locomotiva era lançada luz elétrica para diante. Jim alimentava diligentemente o fogo e mantinha a mais alta pressão do vapor, e nós íamos em frente como Fúrias.
Na primeira estação, na qual paramos para recolher água, eu examinei com detalhe se estava tudo em ordem, e Jim vistoriou a lanterna. Estava tudo certo, e continuamos a viagem.
A escuridão fez-se, se isso é possível, mais densa. A chuva caía ainda torrencialmente. Subitamente eu vi, através da chuva e da névoa, deslizando à nossa frente, uma gigantesca figura feminina, envolvida numa longa capa preta, a qual voava em meio à ventania. Ela lançava os braços para a frente e para trás, até que desapareceu.
Fiquei totalmente emudecido de admiração e esqueci-me de fazer sinal a Jim, que estava diante da fornalha. Quando ele voltou o olhar, gritou: — Ó Frank! O que foi? Você olha como se tivesse visto um espírito!
Eu nada respondi. Meus pensamentos ocupavam-se da estranha figura que eu tinha visto.
Estávamos então perto de Rock Creek, onde uma ponte passa sobre um profundo rio.
Fiquei mais nervoso do que antes. Viajávamos rápido, e um sinal fora enviado à estação de Rock Creek, que distava apenas uma milha da ponte. Quando passamos pela estação, ouvi Jim gritar. Corri até ele e vi-o tremendo de terror. Ele apontava para fora, na escuridão, e quando olhei, fui eu mesmo tomado pelo terror.
Lá, sobre o relógio, via-se aquela mesma mulher gigante, como antes, ora quieta, ora na mais selvagem dança. — Frank, murmurava Jim com dificuldade, não passe sobre a ponte! Pelos céus, não faça isso! Não passe antes de saber se tudo está em ordem!
Não pude resistir ao pensamento de parar o trem e abrir ao máximo possível a ventilação. Mal paramos, pude ouvir a água que estrondava em Rock Creek bem diante de nós. Quando saí da máquina, o condutor veio ao meu encontro.
— O que foi? O que foi? perguntou. Senti-me confuso. Eu já não via nenhuma mulher gigante. Nós não conseguíamos ver a mais de um ou dois metros adiante sobre os trilhos. Eu nada via, mas disse: — Não sei o que era, mas pareceu-me ter visto um grande espírito negro que estendia os braços e me fazia sinal para que não prosseguisse. O condutor olhou-me todo admirado.
— Você está louco, Frank? disse. Quase não se poderia acreditar. Mas já estamos perto do rio, e podemos verificar.
Pegamos nossas lanternas e seguimos adiante. Jim recebeu a ordem de vigiar a máquina. Mal demos algumas dezenas de passos, porém, e paramos, petrificados de terror. Diante de nossos pés havia uma profunda garganta, onde o rio rugia, engrossado pelas chuvas da primavera. Quando nos viramos, vimos a figura feminina de preto, que dançava em selvagens rodopios. O condutor olhou adiante para o abismo, depois para mim.
— Foi isto que você viu, quando parou o trem?
— Sim.
— Alguma outra coisa, além da sorte, salvou-nos esta noite.
Voltamos devagar ao trem, cheios de pensamentos e com a alma pesada. Diversos viajantes vieram ao nosso encontro. Entre eles se encontrava um jovem de 18 anos, vindo de Chicago, que era mais rápido de pensamento do que nós. Quando ele viu a mulher de preto, foi até a locomotiva e olhou dentro da lanterna que estava lá.
— Eis aqui nossa dama de preto! Disse o jovem de Chicago.
E lá estava de fato esse mesmo inseto que você vê agora sob esse vidro. Quando abri a lanterna, ele voou em direção ao refletor.
Eis aí toda a história, meu senhor. Quando o inseto voava diante da luz, ela projetava uma sombra que se assemelhava a uma mulher a agitar os braços. Não sei como ele entrou, mas com certeza foi quando Jim examinou a lanterna, junto da estação de água. Seja como for, isso salvou nossas vidas, pelo medo que me causou aquela mulher vestida de preto.
Eis o motivo de este inseto estar sob um vidro e numa moldura. Isto é para lembrar-me de como fomos salvos através deste inseto. Sim, você o chama acaso — creio eu que ele foi enviado por Deus.
— Tudo em ordem! gritou o condutor, saindo da estação telegráfica com um papel nas mãos.
Jim, o foguista, veio para a máquina e eu voltei a meu vagão.

JONSON, B. G. La nigra virino. In: ZAMENHOF, L. L. (Org.). Fundamenta Krestomatio de Esperanto. 2. ed. Paris: Hachette et Cie., 1905.


Santarém, PA, 25/1/2013. Editado em 24/2/2015. Leia e curta também no Wordpress.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Um episódio da II Guerra Mundial, por Yevgeny Yevtushenko

“Para ser poeta, não é suficiente saber escrever poemas. É necessário ter capacidade para defendê-los.”
Yevgeny Yevtushenko, Autobiografia precoce

Lendo a obra “Autobiografia Precoce” (1963) do escritor, ator e diretor russo Yevgeny Yevtushenko (ou Eugênio Evtuchenko, como ficou conhecido no Brasil), topei com a passagem que reproduzo abaixo, a qual consta no capítulo 4. Trata-se de descrição da reação da população moscovita quando da passagem, pela capital russa, de cerca de 25.000 prisioneiros de guerra alemães. Yevtushenko tinha, à época, 11 anos.
É curiosa e espantosa, ainda que não fosse inesperada, a reação da população, que se dá conta de um aspecto que não contava encontrar em seus inimigos de guerra: humanidade. Nos tempos atuais, mais do que nunca, fatos como esses nos levam a refletir sobre o autoritarismo e o nacionalismo, que só tem servido para separar os seres humanos, levando-os à mais bizarra das criações humanas: a guerra.
“Em 1944 minha mãe e eu voltamos a Moscou. Aí, pela primeira vez em minha vida, tive ocasião de ver os inimigos. Se não me engano eram 25.000 alemães que deviam atravessar, em uma só coluna, as ruas da capital.
Todas as calçadas estavam apinhadas de gente cercada pelos soldados e pela milícia. A multidão era constituída, na sua maioria, de mulheres.
Mulheres russas, de mãos deformadas pela dureza do trabalho, com lábios sem batom, ombros magros sobre os quais repousava o peso essencial da guerra. A cada uma delas, provavelmente, os alemães haviam levado um pai, um marido, um irmão ou um filho.
Elas olhavam com ódio na direção de onde se esperava a coluna de prisioneiros.
Depois, esta apareceu.
Na frente, marchavam os generais, trazendo levantados os maxilares maciços, e os ângulos dos lábios contraídos, desdenhosos. Assim, queriam reafirmar a sua superioridade aristocrática sobre a plebe que os havia vencido.
As mãos obreiras das mulheres russas se fechavam coléricas quando eles passavam.
- Fedem a água de colônia, esses sujos! gritou alguém na multidão.
Os soldados e os milicianos tiveram que se apoiar em toda a força de seus corpos para impedir que as mulheres rompessem a barragem.
No entanto, de repente, algo se passou com a multidão.
Chegavam os soldados alemães, magros, sujos, barbados, as cabeças envoltas em ataduras ensanguentadas, apoiados em muletas ou nos ombros de seus camaradas. Passavam cabisbaixos.
Um silêncio de morte se instalou na rua. Não se ouvia nada a não ser o lento arrastar dos seus sapatos e de suas muletas.
Vi uma matrona usando grandes botas russas colocar a mão no ombro de um miliciano.
- Deixe-me passar.
Havia algo na voz daquela mulher. Diante do tom imperativo o miliciano abriu-lhe o caminho. Ela aproximou-se da coluna e tirou de seu blusão um pedaço de pão preto cuidadosamente envolto num lenço. Deu-o a um prisioneiro exausto, que se sustinha com dificuldade.
De repente, outras mulheres seguiram seu exemplo e começaram a jogar pão e cigarros aos soldados alemães vencidos.
Não eram mais os inimigos.
Eram, agora, homens.”
Evtuchenko, Eugênio. Autobiografia precoce. Tradução de Yedda Boechat Medeiros. 3ª edição. Rio de Janeiro: José Álvaro Editor, 1967, pág. 37-39.



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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A saúde pelas plantas e ao alcance de todos



APRILE, Fabio M.; SIQUEIRA, Gilmar W. Etnoconhecimento e Cultivo de Plantas Medicinais. Curitiba, PR: CRV, 2012. 16x23 cm, 476 pp., ilustrado, ISBN: 978-85-8042-301-3.

Os pesquisadores Fabio Marques Aprile, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), e Gilmar W. Siqueira, da Universidade Federal do Pará (UFPA), reuniram o resultado de 25 anos de pesquisas junto a comunidades tradicionais de Norte a Sul do Brasil no livro “Etnoconhecimento e Cultivo de Plantas Medicinais”, uma coletânea sobre o cultivo e uso de plantas medicinais por caiçaras, caipiras, ribeirinhos, sertanejos, seringueiros, pantaneiros, jangadeiros, caboclos, índios, quilombolas e muitos outros grupos, que vivem em estreita relação com o ambiente natural. Trata-se de um substancial acervo de informações sobre o cultivo de plantas encontradas em diversas regiões do país, que os autores compartilham com vistas a auxiliar na preservação dos conhecimentos tradicionais dos diversos grupos culturais que formam a população brasileira.
Dentre os temas abordados, fala-se dos tipos e propriedades do solo, com sua conservação e manejo, criação e manutenção de canteiros, hortas e pomares, e mais de 400 espécies de plantas nativas e exóticas, que são descritas com seus nomes científicos e populares, propriedades terapêuticas e medicinais, aspectos históricos de seu uso, e mais de 1.600 indicações e preparo de receitas caseiras, utilizadas para o tratamento das mais variadas doenças.
O livro, com 476 páginas e muitas ilustrações e fotografias, pode ser adquirido, no valor de R$74,90, diretamente da editora CRV (http://www.editoracrv.com.br).
Sobre os autores: Fabio M. Aprile é bacharel em Ciências Biológicas, mestre e doutor em Ecologia de Ecossistemas Aquáticos e Terrestres, com pós-doutorado em Oceanografia Química e Geológica. Foi pesquisador visitante do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e atualmente é professor da UFOPA. Gilmar W. Siqueira é licenciado em Química, mestre e doutor em Oceanografia Química e Geológica. É professor da UFPA.

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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Salvem o Jorge, salvem-nos dele; ou a difícil arte do vocativo


São Jorge combatendo o dragão (ícone ortodoxo)
Diz um reclame antigo e conhecidíssimo em São Paulo: O mundo gira, a Lusitana roda. Acrescento eu: E os tempos mudam muito! Quem se acostumou, desde que era criança pequena em Barbacena (ou em qualquer outro lugar), a ouvir sobre opadrão de qualidade da Rede Globo, com certeza perguntou a si mesmo o que se passou nos escritórios de redação da Vênus Platinada, em relação à correção gramatical do nome de sua telenovela SALVE JORGE, exibida de 22/10/2012 a 17/5/2013, na faixa das 21 horas.
nome, como sabemos, é alusivo à figura de São Jorge, santo católico bastante popular e também figura cultuada por religiões afro-brasileiras, sob a invocação de Ogum ou Oxóssi, orixás de índole guerreira.
Antes, porém, de passarmos ao escopo deste artigo, vejamos uma introduçãozinha histórico-cultural.
I. O nome Jorge é muito comum no mundo cristão. Origina-se do nome grego Geórgos, que através do latim Georgius deu origem às diversas formas desse nome nas línguas modernas: Georg ou Jürgen (alemão), George (inglês), Georges (francês), Gheorghe (romeno), Giorgio (italiano), György (húngaro), Jordi (catalão), Jorge (português e castelhano) etc.
O santo, que segundo a tradição viveu entre os séculos III e IV,  tem seu dia comemorado em 23 de abril e é também conhecido como Jorge da Capadócia, pois, segundo a tradição, é originário dessa região da Anatólia, atualmente parte da Turquia. Jorge da Capadócia era soldado romano que se converteu ao cristianismo; por isso aparece em certas representações munido de escudo que traz cruz vermelha sobre campo branco, combinação presente em muitas bandeiras, como as da Geórgia (ex-república soviética), que lhe deve o nome ocidental, e também da Inglaterra e de outras regiões, das quais é o padroeiro (também é padroeiro de Portugal, Lituânia, Catalunha e da cidade do Rio de Janeiro), além de protetor de forças militares e policiais diversas.

Bandeira da Inglaterra (não confundir com a bandeira do
Reino Unido, conhecida como Union Jack ou Union Flag)
Assim como ocorreu com outros santos militares (Santo Expedito, São Martinho e São Maurício, por exemplo) ou outros não militares (Santo Antônio, São Lourenço), a devoção a São Jorge se espalhou devido a seu apelo popular e milagreiro. É curioso que não haja devotos (pelo menos, nunca conheci nenhum) de Santo Agostinho, São Jerônimo, São Tomás de Aquino; talvez estes sejam eruditos demais para ter devotos. Valéry Larbaud, em sua obra Sob a Invocação de São Jerônimo, comenta sobre isso, e considera São Jerônimo o padroeiro dos tradutores, por seu protagonismo num dos maiores feitos de tradução de que se tem notícia: a Bíblia Vulgata, versão latina católica traduzida dos originais hebraicos e gregos; Jerônimo deixou também escritos sobre a arte de traduzir.

Bandeira da Geórgia, ex-república soviética
Mas, continuando... Esses santos estão presentes no Brasil desde o início da colonização, e "participaram" ativamente da ocupação do território: Santo Antônio, por exemplo, chegou a assentar praça nos exércitos portugueses, aparecendo na lista de combatentes e recebendo até soldo (obviamente o pagamento era repassado a alguma freguesia, paróquia, irmandade com seu nome). Atribuem-se à ajuda de Santo Antônio vitórias contra holandeses e franceses.
Santo Antônio representado com acessórios militares
São Jorge é também conhecido como matador de dragõeso que o transporta dos domínios da religião para os da fantasia, pois sabemos que dragões nunca existiram... muito menos na Lua, onde dizem que houve o embate do santo com o monstro. O que pouca gente sabe é que, em São Paulo, o Santo Guerreiro foi matador de gente (não me refiro a conflitos ligados ao futebol). Explico-me: em sua obra São Paulo de Outrora, Paulo Cursino de Moura conta que, em fins do século XIX (ou no começo do século XX, não sei precisarcito de memória, pois estou apartado da maior parte de minha livraria), durante uma procissão em devoção de São Jorge na cidade de São Paulo, a imagem do santo, que iamontadanum cavalo de verdade, caiu de cima dele, matando um devoto que ia ao lado. Este, ao contrário do dragão, morreu em odor de santidade, indo direto para o céu...
II. Santo, Santa, São – Para arrematar esta introdução, aproveitando-se o gancho: as formas São e Santo, ambas originadas do latim sanctus, a, um, não são intercambiáveis, não se usam uma pela outra. A palavra São usa-se com nomes iniciados por consoante, e Santo se acresce aos nomes iniciados por vogal: São Bento, São Carlos, São Caetano, São Bernardo, São Mateus, São Francisco; Santo André, Santo Anastácio, Santo Inácio, Santo Onofre, Santo Antão etc. A exceção parece ser São Tomás de Aquino, à qual alguns preferem Santo Tomás; mas sempre se prefira a forma regular.
A combinação São Tiago resulta do nome latino Sanctus Iacob; esta combinação sofreu queda da consoante final, sonorização de /k/ (grafado C), que se tornou /g/, e aglutinação das duas palavras: Santiago (em português e castelhano), com posterior separação dos termos, nos domínios lusófonos, causada por etimologia popular: os falantes do português na Idade Média perderam a consciência etimológica e reinterpretaram a palavra, separando-a novamente em duas formas, São Tiago. Portanto, do nome hebraico Iaakov surgiram em português, por vários caminhos, os nomes Jacó, Tiago, Iago e Jaime.
Para os nomes femininos há apenas a forma Santa: Santa Maria, Santa Helena, Santa Bárbara, Santa Ana (ou Sant’Ana, Santana), Santa Irene (donde se originou o nome português Santarém).
Há controvérsias quanto ao uso de inicial maiúscula com as palavras Santo (a) e São. Podemos, porém, considerá-las como partes do nome do santo, grafando todos os elementos, menos as preposições, com inicial maiúscula. Em relação a outros nomes, bíblicos ou não, que não sejam de santos católicos, a palavra é um adjetivo comum, ficando com inicial minúscula: o santo Jacó; a santa Raquel; a santa heroína Judite etc.
III. Salvem o Jorge! Voltando ao tema deste artigo, não o telefolhetim em si mesmo, mas o nome da telenovela: o que significa, então, esse SALVE JORGE? Tratar-se-ia de um imperativo? Se São Jorge estiver em perigo, é possível que seja isso... É o que parece, pela sintaxe presente: salve é forma subjuntiva presente, pessoa do singular, do verbo salvar, usada como imperativo relacionado ao pronome você (forma originalmente da pessoa e que assumiu funções da em várias regiões onde se fala português, e inclusive na língua culta). Jorge é, portanto, o objeto direto de salve; quem profere essa sentença quer que Jorge seja salvo de algo.
Ocorre, porémo que é explicado por todo o contexto da telenovela –, que não se trata de imperativo, porquanto temos aí uma saudação, pelo que esse título está erradamente grafado: deveria ser SALVE, JORGE, com vírgula, pois não se trata de construção imperativa. Temos aí, na verdade, a interjeição salve, não o verbo salvar, com o nome Jorge em função de vocativo, que deve vir sempre acompanhado de vírgula. Falta a vírgula antes do nome Jorge (aí em função de vocativo) para dar à frase seu sentido exato.
IV. Vírgulas, vírgulas, vírgulas... A ortografia e a pontuação são dois dos aspectos da língua escrita que mais trazem dúvidas aos estudantes e população em geral, devido ao tratamento incompleto, superficial e inadequado dado a elas na escola. Como nossa ortografia é ao mesmo tempo fonológica e etimológica, precisamos memorizar a grafia de muitas palavras (ou famílias delas), pois um mesmo fonema pode ter mais de um tipo de representação, o que é motivado pela origem de cada palavra.
a pontuação é mais racional. Os sinais de pontuação – à semelhança dos sinais diacríticos, impropriamente chamados acentos – surgiram e desenvolveram-se para indicar, na escrita, variações da entoação, curvas melódicas ascendentes e descendentes, pausas de variada duração... Mas em nenhuma língua é possível indicar, na escrita, todas as variações da entoação, todos os matizes de sentido que a mais leve mudança na modulação da voz pode produzir; tentamos aproximar-nos disso, portanto, por meio dos sinais de pontuação, dos quais o mais usado é a vírgula. Esta indica uma pausa mais breve que o ponto; trata-se de certo descanso na elocução, aproveitando-se a respiração, e muitas vezes com mudança de sentidoo que ocorre, por exemplo, nas construções explicativas (com orações adjetivas ou apostos): neste tipo de construção, a pausa indicada pela vírgula marca a introdução de um dado inerente ao termo a que se refere o conjunto explicativo.
V. Ah, o vocativo...Mas o que é, afinal de contas, esse vocativo? O termo vocativo é originário do latim vocativus (ou uocatiuus, como se prefere usar atualmente em publicações universitáriasnão trataremos disso aqui). O termo é um adjetivo derivado de vocare =chamar”; na tradição gramatical latina designa um dos seis casos gramaticais daquela língua, o caso vocativo, em que o substantivo é flexionado para designar apelo, chamado, interpelação (a bem da verdade, o vocativo latino ocorre com os substantivos da conjugação, e mesmo assim muitos não variam neste caso, motivo pelo qual alguns expertos atuais consideram que, em latim, não propriamente caso vocativo, mas uma forma variante do nominativo de alguns nomes).
Em português e muitas outras línguas o vocativo é indicado na fala pela entoação da frase, ocorrendo uma pausa depois dele, quando no início da oração; uma pausa antes, quando ele vem no final; e pausas antes e depois, se o vocativo se põe no meio da oração. Em textos escritos, essa pausa é marcada com a vírgula.
Mas é aqui que o caldo entorna... A população tem grandes dificuldades com a pontuação, e é cada vez mais frequente o uso do vocativo sem vírgula, por puro desconhecimento ou por falta de domínio da pontuação. Frases mal grafadas que se distribuem ou compartilham na Internet e placas e faixas afixadas nas ruas apresentam o vocativo sem vírgula; é raro ver uma faixa de dia dos namorados, ou comemorativa do retorno de um parente ou amigo, ou alusiva a uma vitória esportiva, com a pontuação correta. Em 2012, quando retornou da Olimpíada de Londres com a medalha de ouro no peito, certo atleta brasileiro foi recebido com faixas que diziam coisas como Parabéns Fulano, Valeu Beltrano, Bem-vindo Sicrano, assim mesmo, sem nenhuma pontuação. Nem mesmo a publicidade oficial escapa: placas e faixas pagas pelo Erário – portanto, por nós – são feitas, às vezes, sem respeito à ortografia e pontuação oficial.
Os gramáticos, pelo menos quanto à pontuação indicativa do vocativo, são unânimeso que é raro, dadas as grandes discrepâncias que se encontram entre as muitas gramáticas, resultado da falta de uma gramática normativa e pedagógica padronizada que oriente os professores de língua portuguesa. Em outros países, seria esta uma atribuição de academia de letras ou artes ou ciências, ou de uma comissão de notáveis nomeada pelo Estado; mas em nosso caso, nas atuais circunstâncias, creio que isso não se dará: a Academia Brasileira de Letras tem-se mostrado inepta para tais funções, pois poucos de seus membros têm capacitação, experiência e currículo para tratar deste e outros assuntos, e ela também não aceitará que se estabeleça um grupo de professores e pesquisadores universitários que lhe tome o lugar garantido pelo senso comum sobre a língua portuguesa no Brasil – é apenas isto, a "aura de autoridade" que a circunda, o que tem garantido à Academia Brasileira alguma razão de existir, não sua produção científica (!?).
A julgar pelos atuais ocupantes das célebres – ou nem tanto – 40 cadeiras, a Academia tem sido um clube de escritoressem entrarmos em questões de mérito ou qualidade; mas não basta ser escritor para ser capaz de tratar (cientificamente ou não) de assuntos de linguagem: é preciso ter conhecimentos de linguística, filologia, semiótica, edótica, crítica textual e (teoria) literária, além de dominar o arcabouço da gramática tradicional, ainda que esta seja geralmente pouco útil além de seus fins descritivo-pedagógicos; creio que (na Academia Brasileira) apenas o acadêmico Evanildo Bechara tem formação para isso, pois é professor universitário, autor e tradutor de obras sobre a linguagem em geral (publicou 2 gramáticas importantes, com dezenas de edições, além de outras obras próprias e traduções). Mas uma andorinha  jamais fará verão...

Curioso ícone bizantino: São Jorge sem cavalo e sem dragão, reconhecido pela couraça, lança e escudo com a cruz vermelha (Museu Cristão Bizantino, Atenas, Grécia)
VI. O vocativo e seu uso Passemos então a ver o que dizem alguns gramáticos sobre o vocativo e a pontuação que o deve acompanhar.
1. Comecemos por Napoleão Mendes de Almeida, o mais notório e polêmico gramático brasileiro do século XX; diz ele em sua Gramática Metódica da Língua Portuguesa:
702O vocativo pode vir no começo, no meio ou no fim da oração:
no começo: Meninos, estudem a lição.
no meio: Estudem, meninos, a lição.
no fim: Estudem a lição, meninos.
Observe-se que o vocativo vem sempre acompanhado de vírgulas; quando o vocativo inicia a oração, uma vírgula depois; quando vem no meio, o vocativo se põe entre vírgulas; quando no fim da oração, põe-se uma vírgula antes(MENDES DE ALMEIDA, 2005, p. 437).
Entenda-se aqui, por vocativo, o termo que exerce essa função. Mais adiante, após discorrer sobre as funções da vírgula (em suma: indicação de um tipo de pausa), Mendes de Almeida trata novamente de seu uso na indicação da pausa que acompanha o vocativo; repete a necessidade de vírgula a acompanhar o vocativo, e exemplos semelhantes aos anteriores:
Alunos, recordem as correções” – “Recordem, alunos, as correções” – “Recordem as correções, alunos (2005, p. 575).
Como não diz mais nada a respeito, deduz-se que Napoleão considera o vocativo como termo integrante do predicado.
2. Um gramático pouco conhecido e citado nos dias atuais, José de Almeida, assim define o vocativo, em sua Gramática Brasileira da Língua Portuguesa:
É a palavra ou expressão que designa o indivíduo a que nos dirigimos ou interpelamos: Ó Paulo, que fizeste!Henrique, proceda como lhe recomendei. – Não o faças, meu filho!” (ALMEIDA, 1968, p. 186).
Muito sucinto, e com apenas três exemplos... Vale citar, porém, o restante do trecho:
“O vocativo é um elemento que, propriamente, não pertence à oração; um termo, justamente considerado, alheio à estrutura da frase, devendo, por conseguinte, ser analisado à parte, como elemento afetivo por excelência.”
A definição de José de Almeida é bem próxima do que se concebe atualmente, e distante da dos gramáticos mais tradicionais, embora ele mesmo um tradicionalista. Retorna Almeida ao vocativo, na página 250, para dizer dele que “não tem posição fixa: pode vir no início, no meio ou no fim da frase: Geraldo, vem cá – Eu gostaria, Adalberto, de ajudá-lo – Não te convém ir, Fábio”. Finalmente, nas páginas 408 e 409, diz Almeida que a “vírgula indica uma pequena pausa na leitura, e emprega-se para separar (…) o vocativo: Carlos, que tens?”.
3. Clóvis Oswaldo Gregorim, em Português: Gramática Prática, diz, sucintamente:
Emprega-se a vírgula (uma breve pausa): [...]
b) Para isolar o vocativo:
Cristina, desligue esse telefone!
Por favor, Ricardo, venha até o meu gabinete.(GREGORIM, 2006, p. 111-112).
Volta Gregorim adiante (p. 471-472) a tratar do vocativo; diz ele que ovocativo pode vir precedido de interjeição e é sempre seguido de uma pausa. Na modalidade escrita é isolado por vírgula ou seguido de ponto de exclamação, dando outros exemplos:
A política, meus amigos, é a arte da conciliação.
Meu Deus! O que faremos agora?
Até quando nos perseguirão, ó insensatos!
Dando um bom passo à frente de outros gramáticos, diz Gregorim que:
O vocativo apresenta uma função autônoma na oração, pois não pertence ao sujeito nem ao predicado. Não deve ser classificado como um termo acessório, visto que não tem relação alguma com os demais termos da frase.(2006, p. 472).
É uma descrição adequada da função sintática do vocativo, e bem de acordo com os modernos estudos da sintaxe.
4. Com Gregorim já concordava Tássilo Orpheu Spalding, segundo o qual o vocativo “não deve ser incluído na constituição nem do sujeito nem do predicado; analisa-se à parte, porque não pertence à estrutura da oração. Não é complemento” (Dicionário Brasileiro de Gramática, 1971, p. 261).
5. Outro gramático bem conhecido, Adriano da Gama Kury, em suas Novas Lições de Análise Sintática, também diz ser o vocativo um termoà parte tanto do sujeito como do predicado,com que se interpela o ouvinte”; “só raramente aparece o vocativo independente; na maior parte das vezes, liga-se a uma 2ª pessoa do discurso, representada seja por um pronome pessoal, reto ou oblíquo, seja por um possessivo ou demonstrativo”; pode a ele subordinar-se uma oração, como neste exemplo:
Ó Deus, [que estás no Céu], tem piedade de mim” (1986, p. 61).
6. Também Márcia Angélica dos Santos, em Aprenda Análise Sintática, considera o vocativo como termo independente, poisé o termo que não faz parte da oração, conforme os exemplos:
Ó sono! Unge-me as pálpebras... (Castro Alves) – “Anda, moleque. (Machado de Assis) – “ rompe, Nise, a matutina aurora. (Cláudio Manuel da Costa)(apud SANTOS, 2003, p. 58).
7. Em Escreva Certo, Édison de Oliveira e Maria Elyse Bernd tratam também, didática e sucintamente, da pontuação que acompanha o vocativo, citando vários exemplos (conservei os grifos originais):
Sempre que for possível imaginar o vocábulo ó antes de um substantivo, esse substantivo estará funcionando como vocativo e provocará, necessariamente, uma vírgula ou um entre-vírgulas.
Pedestre, atravesse na faixa! (Ó pedestre, atravesse na faixa!)
O futuro vos pertence, jovens! (O futuro vos pertence, ó jovens!)
O futuro, jovens, vos pertence! (O futuro, ó jovens, vos pertence!)
Avança, Brasil!
Aguenta, coração!
Ave (= salve), Maria, cheia de graças...(OLIVEIRA; BERND, 2002, p. 128).
Este último exemplo é bem parecido com o que motivou este artigo.
8. O mais conhecido gramático brasileiro da atualidade, Pasquale Cipro Neto, em Ao Pé da Letra, trata também do vocativo. Cita os exemplos Pedro, nosso primo comprou uma casa e Pedro, nosso primo, comprou uma casa no primeiro, Pedro é vocativo, e nosso primo é o sujeito; no segundo, Pedro é o sujeito, com o aposto nosso primo. Aponta para a necessidade de vírgula a marcar o vocativo, e como exemplos de erro frases como Acorda Brasil. Está na hora da escola, propaganda oficial da época, sem a vírgula antes do vocativo Brasil. Explica ainda Cipro Neto que o vocativo
Nomeia o interlocutor ao qual se dirige a palavra. É um termo independente: não faz parte do sujeito nem do predicado. Pode ser representado por substantivos, pronomes e numerais substantivos, ou ainda, por palavras substantivadas.
Alguns exemplos: Meu querido, o que aconteceu?; Antônio, pare com isso!; Essa proposta é inaceitável, senhor Ministro.(CIPRO NETO, 2001, p. 115).
9. Também Celso Pedro Luft, em sua Moderna Gramática Brasileira, considera o vocativo termo independente: “quando se inclui num período (isto é, numa frase sintaticamente organizada), ele não integra nenhuma oração, não se anexa à estrutura do sujeito ou do predicado. Pode ser precedido de interjeição de chamamento” (1989, p. 44).
10. Dos autores que consultamos, o citado Evanildo Bechara é o que melhor e mais extensamente descreve o vocativo, em sua Moderna Gramática Portuguesa (2000, p. 460-461), obra a um tempo científica e didática, bastante abrangente e destinada a estudos superiores. Diz ele que o vocativo é elementodesligado da estrutura argumental da oração e desta separado por curva de entoação exclamativa;cumpre uma função apelativa de pessoa, pois, por seu intermédio, chamamos ou pomos em evidência a pessoa ou coisa a que nos dirigimos. Classifica ele, ainda, a tradicional interjeição ó comoum morfema de vocativo, dada a característica entonacional que a diferencia das interjeições propriamente ditas:
Deus, ó Deus, onde estás que não respondes? (Castro Alves, Vozes d'África).
Ainda segundo Bechara, o vocativo constituiuma frase exclamativa à parte ou um fragmento de oração, à semelhança das interjeições. Pode ser constituído de pronome ou substantivo, podendo este vir acompanhado de expansões, como adjuntos adnominais, orações adjetivas etc., como nestes outros exemplos de Castro Alves, citados por ele:
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Senhor Deus, que após a noite
Mandas a luz do arrebol,
Que vestes a esfarrapada,
Com o manto rico do sol.
Todo este segundo trecho é o vocativo, com o núcleo Senhor Deus acompanhado de orações adjetivas explicativas.
À página 609, diz Bechara sobre o uso da vírgula para intercalar o vocativo, informando ainda que na redação oficial o vocativo costuma vir acompanhado de dois pontos (:).
11. Conclusão Outros autores poderiam ser citados, mas creio que os trechos arrolados acima são suficientes. O objetivo deste texto era discorrer sobre o uso do vocativo, mostrando que ele vem sempre acompanhado de pausa, que deve ser marcada por vírgula, mesmo em frases mais simples ou em títulos de livros e outras obras; acabou-se, porém, por adentrar sua definição e função, ainda que de forma superficial. Podemos então concluir – pois este artigo já se vai tornando longo –, que o vocativo:
a. Pode vir no início, no meio ou no fim da oração ou do período;
b. Vem acompanhado de pausa, que deve ser necessariamente marcada por vírgula;
c. Quando vem no início, há pausa, necessariamente marcada por vírgula, depois do vocativo; se este vem no fim, põe-se antes a vírgula; se o vocativo vem no meio da oração ou período, vem ele entre duas vírgulas;
d. Pode o vocativo vir acompanhado de complementos, que também farão parte do vocativo, sendo o termo principal o núcleo de todo o sintagma (isto é, o conjunto de palavras que formam um só elemento sintático);
e. Para efeito de análise sintática, o vocativo é termo independente, não se prendendo nem ao sujeito, nem ao predicado.
VII. The Happy End... - Goste ou não de telenovelas, e tenha ou não dado audiência a essa telenovela da TV Globo, você pelo menos já sabe que o nome correto dela é SALVE, JORGE, com vírgula.
E mais: se você conhece algum figurão da Poderosa (a Rede Globo, of course), repasse este texto a ele; avise que pode lê-lo, distribuí-lo e até odiá-lo (e a mim também) à vontade – não faz mal, não cobrarei cachê ou pró-labore. Foi gostoso escrever este texto, e só isso já me deixou satisfeito e bem pago. Como dizem por aí: não tem preço...

Brasão da polícia de Moscou, Rússia, cujo patrono é São Jorge

OBRAS CONSULTADAS
ALMEIDA, José de. Gramática Brasileira da Língua Portuguesa. São Paulo: Obelisco, 1968.
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37. ed. revista e ampliada, 5. reimpressão. Rio de Janeiro: Lucerna, 2000.
CIPRO NETO, Pasquale. Ao Pé da Letra. Rio de Janeiro: EP&A, 2001.
GREGORIM, Clóvis Oswaldo. Michaelis SOS Português: Gramática Prática. 10. ed. São Paulo: Melhoramentos, 2006.
KURY, Adriano da Gama. Novas Lições de Análise Sintática. 2. ed. São Paulo: Ática, 1986.
LARBAUD, Valéry. Sob a Invocação de São Jerônimo. Trad. Joana Angélica. São Paulo: Mandarim, 2001.
LUFT, Celso Pedro. Moderna Gramática Brasileira. 9. ed. Rio de Janeiro: Globo, 1989.
MENDES DE ALMEIDA, Napoleão. Gramática Metódica da Língua Portuguesa. 45. ed. revista, 1. tiragem. São Paulo: Saraiva, 2005.
OLIVEIRA, Édison de; BERND, Maria Elyse. Escreva Certo. Porto Alegre: L&PM, 2002.
SANTOS, Márcia Angélica dos. Aprenda Análise Sintática. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.
SPALDING, Tássilo Orpheu. Dicionário Brasileiro de Gramática. São Paulo: Cultrix, 1971.
 
Santarém, Pará, 30/10/2012. Editado em 23/4/2015. Atualizado em 01/07/2024.